Renault Sandero 2020 no teste do Latin NCAP

Renault Sandero 2020 no teste do Latin NCAP (Latin NCAP/Divulgação)

Sua decisão de compra de um carro se baseia no nível de segurança que ele oferece? Então você certamente ficará confuso ao pesquisar o quão seguro é o Renault Sandero 2020.

Isso porque, no ano-modelo 2020, a família formada pelo hatch, pelo sedã compacto Logan, pelo aventureiro Stepway e pelo esportivo RS pode entrar na sua garagem com três padrões diferentes de segurança, segundo o Latin NCAP (programa de segurança viária para América Latina e Caribe).

O primeiro é o do Sandero 2020 pré-facelift: uma estrela (18,01 pontos de 34 possíveis) em proteção para adultos e três (28,97 de 49) para crianças.

Mas o estranho mesmo é saber que a linha 2020 reestilizada também pode vir de fábrica com dois parâmetros diferentes.

Unidades fabricadas até 10 de dezembro deste ano são avaliadas com uma (23,28 pontos) e quatro estrelas (38,52), respectivamente, enquanto aquelas produzidas a partir de tal data recebem três estrelas (23,4 pontos) para adultos.

Imbróglio foi causado pela prova de colisão lateral

Imbróglio foi causado pela prova de colisão lateral (Latin NCAP/Divulgação)

QUATRO RODAS já contou um pouco dos bastidores desse imbróglio: uma inesperada diferença de padrão entre exemplares feitos no Brasil e na Colômbia levou a Renault a atualizar o modelo nacional.

Só que erramos uma parte importante da informação: o Sandero feito em São José dos Pinhais (PR) não ganhou reforços estruturais nem trocou os airbags laterais, conforme inicialmente publicado.

Oficialmente, a Renault confirma ter promovido alterações no compacto, mas afirma que o modelo continua a usar as mesmas bolsas infláveis de antes, com 4 litros a menos de volume em relação ao colombiano.

O fabricante se limitou a informar que “foram efetuados pequenos ajustes técnicos” no modelo – sem detalhar quais seriam eles –, suficientes para promover o ganho de duas estrelas.

Á esquerda, o airbag do Sandero colombiano, maior; à direita, o do brasileiro

Á esquerda, o airbag do Sandero colombiano, maior; à direita, o do brasileiro (Latin NCap/Divulgação)

Ainda, iterou que o “Sandero atende e sempre atendeu plenamente às normas de segurança vigente”, e que, “em relação às especificações técnicas entre o modelo produzido na Colômbia e no Brasil, as pequenas diferenças existentes são em função dos fornecedores locais de cada país, como é prática de vários fabricantes”.

“Importante ressaltar que tais diferenças não alteram os resultados de proteção aos ocupantes, que são os mesmos independentemente da locação produtiva”, finalizou o comunicado da marca.

Procuramos, então, o Latin NCAP, que explicou a mudança: “a Renault mudou o tempo de disparo dos airbags laterais nos carros brasileiro e argentino”, respondeu o secretário-geral da entidade, Alejandro Furas.

“Eles adiaram um elemento de absorção de energia no impacto lateral para ajudar a manter o boneco com distância maior do ponto de impacto lateral. Também mudaram o tempo de disparo dos airbags para reduzir os ferimentos do boneco”, seguiu.

Esse ajuste, claro, se refere a milésimos de segundo. E surpreendeu o Latin NCAP. “Esperávamos que Renault atualizaria os airbags laterais do carro brasileiro, mas isso não aconteceu”, disse Furas.

Sandero tem mesma dianteira do sedã Logan

Sandero tem mesma dianteira do sedã Logan (Divulgação/Renault)

Entretanto, na avaliação do programa, o Sandero brasileiro “continua oferecendo menos proteção contra impactos laterais do que o colombiano”.

O órgão questiona ainda a Renault por “não comunicar voluntariamente aos compradores dos carros de uma estrela quais modificações foram feitas” para que a nota fosse atualizada.

Por outro lado, uma fonte familiarizada com o caso apontou que a Renault teria contestado internamente o resultado do teste de uma estrela junto ao programa, alegando que o boneco estava posicionado 7 milímetros fora do padrão. Lembrando que o teste foi patrocinado pelo fabricante.

No fim das contas, o fato é que o Sandero brasileiro continua a ter bancos dianteiros e airbags laterais diferentes do colombiano.

E, entre milímetros e milésimos, ou entre trocas de farpas de Renault e Latin NCAP, mais do que uma diferença de duas estrelas na nota, ficou em jogo a segurança efetiva dos ocupantes dos veículos vendidos no país.

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