O Aurora 122C teve três anos de desenvolvimento e um orçamento de US$ 3 Milhões até chegar na pista da Quatro Rodas em junho de 1992 Silvio Porto/Quatro Rodas

Ver o mercado dos carros fora-de-série brasileiros entre os anos 1970 e 1980, daqui de 2020, pode até ser um pouco injusto.

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Havia grandes ideias e visuais ousados, aliados a conjuntos mecânicos de grandes montadoras, como VW ou GM. Era o que se tinha de opção no Brasil além dos poucos modelos vendidos pelas grandes fabricantes da época.

Puma GT4R, modelo esportivo projetado e construido pela Puma à pedido da revista Quatro Rodas em 1969. Reprodução/Quatro Rodas

Para quem queria esportividade e exclusividade, porém, nossos esportivos “feitos em casa” eram um prato cheio. E muitas empresas foram bem-sucedidas nesse intento, como Puma, Miura e Gurgel.

Miura Saga
Miura Saga: A carroceria de fibra de vidro vestia uma mecânica de Santana Marco de Bari/Quatro Rodas

Os grandes problemas estavam na construção, muitas vezes adaptadas para “calçar” o conjunto mecânico das grandes fabricantes, no alto custo do produto final e, em alguns casos, na baixa qualidade de fabricação.

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Isso fazia com que o consumidor pensasse não duas, mas sim três ou quatro vezes antes de adquirir seu carro fora-de-série nacional.

Gurgel X-12
O jipinho X-12 só tinha tração atrás, mas se virava bem com a Selectraction, que travava a roda que girava em falso Cláudio Laranjeira/Quatro Rodas

Com a reabertura da importação de veículos, no início dos anos 90, produtos muito mais evoluídos e bem acabados entraram no Brasil e acabaram jogando uma pá de cal sobre essa indústria criativa e nostálgica.

Nunca que um Puma ou Miura poderia competir de igual para igual com um Mitsubishi 3000GT vindo do Japão. E isso aconteceu praticamente da noite para o dia.

Essa discussão merece horas e milhares de ponto de vista. Nós, de QUATRO RODAS, otimistas que somos, sempre imaginamos aqui de 2020 uma miragem que não aconteceu com a indústria de carros fora-de-série nacional: a de que hoje poderíamos ter fabricantes e produtos brasileiros como acontece em outros países.

Vale citar as opções que existem pelo mundo, como a Radical e a BAC, do Reino Unido, os Saleen, dos EUA, a Pagani, da Itália, e a sueca Koenigsegg, entre tantos outros fabricantes de carros fora-de-série ao redor do mundo.

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Pagani, Saleen, BAC e Koenigsegg. Quatro exemplos de fora-de-série de 2020 ao redor do mundo. Divulgação/Quatro Rodas

Mas nenhum deles consegue despertar o mesmo interesse que uma Ferrari F40. Abaixo, um teste do Aurora 122C, uma das últimas criações nacionais a conservar esse espírito:

O despertar do Aurora

Surge o melhor fora-de-série do país depois de três anos em desenvolvimento

Teste: Luiz Bartolomais Junior

A construção do Aurora foi baseada nos traços do Ford GT40, mas também tem nuances do Porsche e da Ferrari F40. Em geral, essas combinações não dão certo. O Aurora, porém, resultou num carro bonito, atraente e de linhas bastante harmônicas Silvio Porto/Quatro Rodas

Apesar do pouco tempo de existência, o Aurora 122-C turbo já pode ser considerado o melhor fora-de-série construído no Brasil no que se refere à concepção. Suas linhas modernas, o requintado bom gosto do design e as soluções mecânicas justificam o título.

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Mas dois problemas não conseguem se esconder no meio do leque de virtudes. O primeiro deles foi logo detectado no protótipo levado para a pista de testes em Limeira (SP): o carro não tem ainda um motor à altura. Essa limitação talvez demore para ser corrigida.

Afinal, não há no Brasil uma motorização suficiente para que o Aurora possa exibir seus dotes. Merecia, ao menos, um motor com 4 válvulas por cilindro. Na tentativa de compensar tal deficiência, é obrigado a usar turbo. A adaptação sempre deixará dúvidas sobre a quilometragem que o motor vai rodar sem o risco de quebra.

O preço (cerca de US$ 50.000 dólares, em 1992) e a abertura dos carros importados, fizeram com o que o Aurorar não decolasse Silvio Porto/Quatro Rodas

O segundo problema é ter ficado pronto numa época ingrata. Com a entrada dos modelos importados no país, sua competitividade em termos de preços é baixa. O Aurora custa 50 000 dólares, um valor elevado e que está na mesma faixa de carros estrangeiros como BMW 316i, Honda Accord e Mitsubishi Eclipse Turbo.

Em outros tempos, poderia se consagrar no mercado. O desenvolvimento deste fora-de-série demoro 3 anos e consumiu 3 milhões de dólares. Bem antes de sua conclusão, porém, destacou-se como atração brasileira no última Salão do Automóvel, em outubro de 1990, quando faltava a definição de alguns detalhes, principalmente de eletrônica.

Diante da carência de uma motorização mais adequada, o fabricante foi obrigado a construir seu próprio motor. Optou, então por uma mecânica semelhante à do Monza. Do modelo da GM, saiu o bloco do motor, equipado com virabrequim de curso maior (94 mm contra 86 mm do Monza) e bielas especiais, 4 mm mais curtas em comparação ao carro da GM.

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A traseira do Aurora é claramente inspirada no Ferrari F40 José Geraldo Fonseca/Divulgação

Com essas modificações, a cilindrada do motor – que era de 1998 cm3 – pulou para 2184 cm3 no Aurora. Segundo cálculos do fabricante, o aumento de cilindrada, a taxa de compressão usada (10,4:1 no carro a àlcool) e a pressão de 0,9 bar aplicada por um turbo Garret 357 T3 conseguem o prodígio de soltar 214 cavalos do motor.

E alegrar o desempenho de um carro qeu pesa 1 140 kgm embora seja feito todo em fibra de vidro.

O carro também apresenta boas soluções internas. Como não existe porta-malas o projetista Oduvaldo Barranco criou um elegante jogo de malas especiais, que se acomodam no único espaço disponível: entre os bancos e o vidro traseiro.

O interior era exclusivo e contava com diversos recursos eletronicos Silvio Porto/Quatro Rodas

O sistema eletrônico é dotado de computador de bordo que comanda a climatização interna e fornece horário e temperatura ambiente. O equipamento controla também vidros e espelhos elétricos. Em caso de pane, ele pode ser desligado.

Na pista, o Aurora 122-C supera todos os modelos nacionais em velocidade e aceleração. Atingiu 203,9 km/h e, de 0 a 100 km/h, gastou só 8s98.

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Não decepcionou também na frenagem, pois a 120 km/h levou 68,1 m até parar completamente. O silêncio, porém, não é o seu forte: registrou a elevada média de 76,55 decibéis.

É um problema que deve ser eliminado com o tempo. Mas não chega a ofuscar a estrela desde legítimo fora-de-série nacional.

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