Porsche 911 Backdate inspirado no Carrera RSR 1973, que correu neste mesmo ano

Não fossem esses tempos difíceis de Covid-19, hoje seria o segundo dia da tradicional 24 Horas de Le Mans (França) em que a Porsche estaria celebrando na pista sua primeira vitória, ocorrida nos dias 13 e 14 de junho de 1970.

Coincidentemente a corrida deste ano estava programada para ter começado neste sábado (13), às 16h e a conceituada marca alemã faria a celebração de meio século da histórica vitória do Porsche 917 K dos pilotos Hans Herrmann, da Alemanha e Richard Atwood, da Grã-Bretanha, dentro da pista.

Mais coincidência ainda é que, em tempos de pandemia, a Porsche no Brasil nada de braçada entre os importados de luxo quando o assunto é emplacamento. A marca registrou, no acumulado de janeiro a maio deste 2020, 74,2% de aumento (de 554 a 965 unidades), à frante de um distante segundo lugar da Land Rover, com 13% (de 984 para 1.112). Os dados são da Abeifa (associação de importadoras). Prova de que a pandemia não tem afetado todos os mercados de luxo – muito pelo contrário.

Hoje em dia

A marca alemã não é mais favorita para vencer a prova na classificação geral, pois desistiu de participar na categoria principal, desde 2018, após três vitórias consecutivas de 2015 a 2017. O Porsche GT Team inscreveu 4 modelos 911 RSR para as 24 Horas de Le Mans 2020, que foi transferida para os dias 13 e 14 de setembro.

Apesar de ser a disputa de longa duração mais famosa do mundo, as 24 Horas de Le Mans, no Brasil, não tem tanto apelo entre os fãs de automobilismo. Mas qualquer brasileiro que teve a chance de assistir no próprio circuito de La Sarthe, na França, jamais esquece aquele inédito momento e também passa a dar muito valor para o fabricante do carro vencedor. Até mais do que o dos próprios pilotos, como ocorre em toda a Europa.

É o caso de Pietro Consolini, sócio-diretor da Wish Motors, concessionária de modelos seminovos muito focada em Porsche, que assistiu na pista francesa a vitória da marca alemã na corrida de 2016. “Foi aquela corrida que, depois de uma boa disputa com a Porsche, a Toyota já tinha praticamente assegurado a vitória quando, há apenas cinco minutos do final, o carro surpreendentemente quebrou na pista”, afirma Pietro.


No alto um Carrera 911 disponível na Wish; Acima, um 911 Carrera S zero

O empresário diz: “Vibrei demais com aquele final inesperado e saí de lá ainda mais empolgado pra contar para os meus amigos o que é de fato uma 24 Horas de Le Mans, evento com mais de 200 mil pessoas em volta do longo circuito, com inúmeras exposições de carros antigos, camarotes vips pra todos os lados, passeios de helicópteros, corridas especiais de karts para convidados, parque de diversão com roda gigante, hotel feito especialmente dentro da pista só para a corrida, gente acampada em vários locais, enfim, aquilo que a gente não vê em nenhuma outra corrida do automobilismo mundial”.

Assim, a história de Le Mans ajuda demais na imagem da marca para vender carros. Antes de a Porsche conseguir a primeira vitória, em 70, a sua maior rival em modelos de ruas esportivos, a Ferrari, era quem tinha a maior fama na pista francesa. Depois de três vitórias entre os anos de 49 a 58, a famosa marca italiana deslanchou ainda mais na década de 60, quando conseguiu mais seis conquistas de forma consecutiva, totalizando a incrível marca, até então, de nove vitórias.

Investindo em Le Mans, a Porsche conseguiu se tornar a maior vencedora da corrida francesa, em 1985, quando passou a Ferrari com a sua 10ª vitória, a quinta consecutiva com o modelo 956. Com as conquistas nos dois anos seguintes do Porsche 962C, a marca alemã superou de vez a Ferrari até em vitórias contínuas, em 87, com sete corridas.

Marca mais coroada em Le Mans

Atualmente com 19 conquistas – a Porsche vem sendo um fenômeno de vendas até no Brasil neste período de Covid-19. Ao contrário dos inúmeros usuários de carros em nosso país, o proprietário de Porsche ou fã da marca alemã dá muito valor pra esta sua história. Seja ela em relação a todos os seus produtos comercializados em 62 anos de existência ou à sua participação em Le Mans, a partir de 1952, quando obteve o 11º lugar na classificação geral e foi o primeiro da categoria S.1 com o Porsche 356/4.


Le Mans 1970 com o 917 KH (nº 23)

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Com a primeira vitória histórica na classificação geral de Le Mans em 70, os carros produzidos pela Porsche naquela década hoje são também muito valorizados por aqui e em todo o mundo. Um dos maiores esportivos do período foi o 911 Carrera RS, um carro que nasceu, em fins de 72 e passou a ser comercializado em 73, justamente em um momento crítico para a marca após a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) declarar oficialmente que o praticamente imbatível 917 K estava fora do novo regulamento do grupo 5 (o mais competitivo), não participando, assim, da prova de 72, logo após as vitórias consecutivas que conseguiu em 70 e 71.

Modelo que hoje é um dos maiores ícones da marca e chega até valer US$ 1 milhão quando é encontrado todo original, o 911 Carrera RS 73 salvou a Porsche também no momento em que a Volks anunciou, paralelamente ao problema de Le Mans, que seus futuros modelos teriam tração dianteira e refrigeração líquida da Audi, o que fragilizou a relação entre os dois fabricantes.

Com motor posicionado atrás do eixo traseiro, o Carrera RSR era pra ter um provável comportamento arisco na pista e seria mais lento que seus concorrentes nas curvas. Porém, com a utilização de um túnel de vento, a equipe de engenharia da marca descobriu que um simples e gigantesco aerofólio aumentaria a aderência do eixo traseiro. O que possibilitou, inclusive, a utilização de um motor 2.7 mais potente (210 cv) do que o original 2,4 do 911 S, que proporcionava 190 cv.

A última etapa foi eliminar tudo o que fosse dispensável num carro de pista: carpete, bancos traseiros e até o emblema no capô, substituído por um adesivo. Ao final, o RS para a homologação para Le Mans pesava apenas 960 kg, graças a chapas e vidros mais finos, além de itens de fibra de vidro e alumínio.

Ícone da marca alemã

O 911 Carrera RS foi apresentado no Salão de Paris de 72, onde os entusiastas ficaram em êxtase ao ver o aerofólio traseiro e a informação de que era o primeiro Porsche a ultrapassar os 200 cv. O carro ganhou mais fama ainda por estrear na Le Mans de 73 com um quarto lugar na classificação geral, competindo contra outros modelos bem mais potentes. O 911 Carrera RSR ainda venceu na classe GT 3.0.

Como é um carro de uma história muito rica dentro da esportiva marca alemã e foram produzidas apenas um total de 1.580 unidades até julho de 1973, o Carrera RS é realmente muito difícil de ser encontrado. Principalmente os 55 RSR com motor 2.8 e 300 cv, rodas mais largas e gaiola de proteção interna que foram feitos especialmente para melhor desempenho nas pistas.

Assim, entre diversos outros modelos famosos da Porsche, o ícone 911 Carrera RSR 73 passou a ser um dos clássicos mais cobiçados pelos fãs da marca em utilizar outro 911 mais novo e transformá-lo exatamente no histórico modelo de competição. Para este serviço artesanal que necessita de muita técnica especializada, quando o carro fica totalmente pronto, ele passa a ser chamado de backdate. No caso do carro de corrida, o nome fica Porsche 911 Backdate inspirado no Carrera RSR 1973.

Mesmo assim, também não é nada fácil fazer ou adquirir um “backdate” desse famoso modelo de competição. É um carro com um design tão atraente que qualquer colecionador gosta de ter na sua galeria. Por isso também acaba, quando bem finalizado, a ter preços até mais elevados do que os 911 zero-quilômetro.

Tanto que, na Wish Motors, tem um na cor bastante chamativa Viper Green, que fica exatamente na entrada da loja, justamente para proporcionar um choque no visitante de ver aquele clássico modelo da história da Porsche no meio de todos os seminovos à venda.

Na realidade, o Porsche 911 Backdate inspirado no Carrera RSR 1973 foi cedido pelo seu proprietário para ser uma atração a mais na vitrine da loja, sem estar à venda. O sócio-diretor da Wish Motors, Pietro, revela que o carro foi muito bem transformado de um 911, 1978, e tem um motor 3.6 ainda maior.

O dono do carro é um amigo de Pietro, que antes da Wish Motors ser inaugurada, em fins de julho do ano passado, já havia recusado algumas ofertas pelo atraente modelo. Por confiar em Pietro desde os tempos em que foi vendedor da Stuttgart, atendeu seu pedido no início deste ano para ser uma atração a mais na loja para os visitantes.

“Mas, pela experiência que adquiri em praticamente 15 anos comercializando Porsche, mesmo não estando à venda e não tendo um preço definido na loja, se tiver uma oferta acima da média, duvido que o proprietário desse ‘backdate’, pelo menos, não dê uma boa pensada”, finaliza Pietro.

[canal]REPORTAGEM[/canal]
[linhafina]Corrida tradicional foi para setembro; aqui, mesmo com Covid, venda sobe 74,2%[/linhafina]
[chapeu]CORONAVÍRUS[/chapeu]
[credito]Publisher e editor-chefe do Carpress[/credito]
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